As atrações populares ganham o gosto dos jovens, e o humor ganha mais espaço no maior evento cultural da cidade de São Paulo
A Virada Cultural é o maior evento que promove movimentos culturais na cidade de São Paulo, e nesse ano levou aos paulistas atrações em vários pontos cidade nos dias 16 e 17 de abril, como shows, apresentações musicais, artes cênicas e cinema, exposições de quadros e esculturas, museus e pinacotecas com acesso 24h.
A cidade de São Paulo é representada principalmente pelas suas adversidades, e a Virada Cultural nada mais é do que essa representação, os tipos diversos de eventos refletem a sua população. Os contrastes de algumas atrações, e a preferencia do publico por algumas delas fica evidente quando se observa.
“As vezes da vontade de assistir algo diferente, alguma coisa sobre arte, mais quando fico sabendo que uma banda que eu gosto vai tocar, ou algum artista que curto vai se apresentar, nem penso mais em ver outra coisa”, afirma Luiz Fernando, de 28 anos. Entre os jovens é notável a preferência por atrações mais populares, mesmo que a Virada Cultural disponibilize várias atrações ditas por eles mesmo como “mais cultas”.
O Museu da Língua Portuguesa participa deste evento desde sua primeira edição em 2006. Neste ano o publico contou com a tradicional atração no segundo andar, que apresenta de diversas maneiras as singularidades da língua portuguesa, contando com telões, computadores interativos e uma imensa linha do tempo, que traz consigo a história de todas as nações que influenciaram no processo da construção da língua portuguesa. Uma das paredes do saguão os visitantes deixaram registradas palavras que deixasse expresso algum desejo ou sentimento, o que quisessem.
As pessoas olham tudo com muita atenção, se impressionam com acontecimentos na história do Brasil que jamais imaginavam. Para chamar ainda mais atenção dos curiosos, o Museu preparou sessões de documentários de deixavam os telespectadores encantados. Júlia Viana sai da sala deslumbrada com oque aprendeu, a jovem de 22 anos é fascinada pelo Museu da língua Portuguesa, e comenta em relação a preferência da maioria dos jovens por outros eventos, “muitas vezes a maioria os jovens não visitam o museu na Virada por falta de hábito mesmo, e não porque não gostam, preferem ir direto a apresentações que já conhecem.”
Outra atração diversa da comentada a cima que despertou interesse de muitos, aconteceu no palco no Vale do Anhangabaú para a apresentação de Stand-up comedy. Depois de seis edições do evento, essa foi a primeira vez que o publico contou com uma apresentação de stand-up. A apresentação contou com a presença de humoristas que estão em destaque no momento, como Márcio Ribeiro, Léo Lins, Murilo Couto, Rafael Cortez, Danilo Gentili.
Apesar de ser o primeiro ano da atração, a repercussão dessa nova maneira de fazer comédia, na televisão e principalmente na internet, trouxe uma maior identificação de pessoas de várias idades. A apresentação dos humoristas são simples, não há produção, figurino ou cenário, no palco se vê apenas um microfone, e com ele o artista expressa situações do cotidiano, falam de política, esporte, TV, todo o tipo de coisa que sabem que passam pela cabeça de todo mundo.
No primeiro bloco das apresentações de stand up contou com cerca de sete mil pessoas. Já o Museu da Língua Portuguesa recebeu cerca de seis mil pessoas em todo o final de semana. A falta de incentivo do Estado de instruir a população culturalmente faz dos jovens mais interessados em coisas divertidas ou de interesse pessoal.
Anderson Simões frequenta a Virada Cultural a quatro anos, e diz que nenhuma dessas vezes se interessou em ir em algum evento de cultura e arte. “Quando eu vejo a programação procuro onde vão estar às bandas que eu gosto, todo ano é assim, nunca pensei em visitar um museu ou assistir uma peça de teatro.”